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O New Defender D350

Um longo test drive, estradas estreitas, ADAS e um pneu furado.

Por Luiz Fraga | Fotos Luiz Fraga

Durante uma viagem pela Inglaterra, tive uma oportunidade pouco comum: dirigir um New Defender D350, ano 2025, por quase 3.000 km. Percorremos tanto estradas principais quanto vias vicinais da Grã-Bretanha. Foi um test drive longo o suficiente para ir além das primeiras impressões e conhecer o carro na rotina de uma viagem.

O Defender que utilizamos era bem equipado e tinha rodado cerca de 15.000 milhas, aproximadamente 24.000 km. Entre seus recursos estavam as câmeras ao redor do veículo, que se mostraram especialmente úteis nas manobras em ruas estreitas.

Para mim, o primeiro desafio não foi o carro. Foi me adaptar ao volante à direita e às estradas inglesas, muitas delas muito estreitas mesmo. Nos primeiros 500 a 600 km, dirigir exigiu atenção redobrada: havia trechos sem acostamento, com muros próximos de um lado e guard-rails do outro. Além disso, era preciso reaprender a avaliar a posição de um veículo largo na faixa a partir de um lugar diferente ao volante.

Passada essa fase de adaptação ao RHD (right-hand drive, ou direção à direita), tudo ficou mais natural. Ao volante, o comportamento do New Defender me pareceu familiar. Uso Discovery 3 e Discovery 4 com frequência em viagens longas — sou fã das duas — e reconheci no Defender uma sensação semelhante de estabilidade e conforto. As diferenças que mais percebi no uso diário foram a potência adicional do motor, a direção elétrica mais precisa e responsiva e o sistema de freios, cuja atuação me agradou bastante ao longo do percurso.

Uma elegante New Defender 110 em nosso primeiro hotel que foi uma casa de campo da familia Churchill.

Uma elegante New Defender 110 em nosso primeiro hotel que foi uma casa de campo da familia Churchill.

Eu sempre usava as fantásticas cameras para me orientar nas manobras porque, dirigindo na direita, eu me atrapalhava sempre.

Eu sempre usava as fantásticas cameras para me orientar nas manobras porque, dirigindo na direita, eu me atrapalhava sempre.

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O espaço interno, por outro lado, nos chamou a atenção por ser menor do que o das Discoveries que usamos em casa. Essa é uma diferença que se percebe mais claramente quando se convive com o carro por vários dias e se viaja com bagagem.

Nossa experiência fora de estrada com o New Defender foi limitada. Mesmo as vias vicinais que percorremos eram, em sua maioria, asfaltadas. A estação do ano também nos poupou da neve e do perigoso black ice: uma camada fina de gelo sobre o pavimento, difícil de perceber e capaz de transformar o motorista, em segundos, em mero passageiro.

Com a “aposentadoria” da Land Rover das frotas das forças armadas, sempre cruzávamos com Defenders sendo rebocados, quem sabe este não pode fazer parte de um projeto especial?

Com a “aposentadoria” da Land Rover das frotas das forças armadas, sempre cruzávamos com Defenders sendo rebocados, quem sabe este não pode fazer parte de um projeto especial?

Um Defender 90 realmente usado para o trabalho em sua versão HARD TOP, rebocando um trailer - o famoso WORK HORSE.

Um Defender 90 realmente usado para o trabalho em sua versão HARD TOP, rebocando um trailer - o famoso WORK HORSE.

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A intervenção do ADAS

O Defender contava com recursos de ADAS, sigla de Advanced Driver Assistance Systems — sistemas avançados de assistência ao motorista. Eles ajudaram durante a viagem, especialmente nas estradas. Um episódio, porém, mostrou seu valor de uma maneira que nenhum de nós gostaria de testar.

Viajávamos em comboio. Cada veículo tinha um número e uma posição na fila; a cada dia, fazíamos um rodízio para definir quem seguiria logo atrás do carro-guia. O nosso era o carro 5.

Em determinado momento, o carro 4 fez uma manobra que quase terminou em colisão. O sistema do nosso Defender reagiu antes que eu para evitar o impacto: aplicou os freios de forma imediata e intensa. Foi um susto enorme. Pela distância e pela rapidez com que tudo aconteceu, acredito que teríamos batido forte sem aquela intervenção.

Pelo rádio, soubemos depois que o sistema do carro 6, logo atrás de nós, também havia atuado. Assim, uma situação que poderia ter causado um engavetamento no comboio terminou sem colisões.

Minhas Discovery 3 e 4 não contam com esse tipo de assistência, indisponível nelas à época. Conheço bem esses carros e continuo gostando muito deles, mas naquele instante o avanço tecnológico do New Defender fez uma diferença concreta.

As câmeras e a largura do carro

Outro recurso que usávamos o tempo todo foi o ótimo conjunto de câmeras. O sistema de infotainment reunia as imagens para mostrar o Defender e seu entorno em uma vista superior. As câmeras próximas aos retrovisores também ajudavam a acompanhar a distância das rodas em relação ao meio-fio.

Essa referência visual era valiosa. Em algumas ruas, precisávamos passar bem perto da guia por causa da largura do carro. Bastaria um descuido para riscar uma roda — um reparo que certamente não seria barato.

Em um dos trechos, o Defender do carro 3 passou muito perto da guia com a roda dianteira esquerda, do lado do passageiro. Pouco depois, o motorista avisou pelo rádio que o TPMS (Tire Pressure Monitoring System, sistema de monitoramento da pressão dos pneus) indicava um problema naquele pneu.

Trocar um pneu de um New Defender com muita ajuda fica mais fácil.

Trocar um pneu de um New Defender com muita ajuda fica mais fácil.

A imagem do New Defender de frente no espelho retrovisor do lado do passageiro.

A imagem do New Defender de frente no espelho retrovisor do lado do passageiro.

Pena que esta versão não vem para o Brasil, não tem público, uma New Defender 90 HARD TOP em versão sem suspensão pneumática.

Pena que esta versão não vem para o Brasil, não tem público, uma New Defender 90 HARD TOP em versão sem suspensão pneumática.

Ao lado de seu “irmão mais velho” Defender 90 HARD TOP quase da mesma cor

Ao lado de seu “irmão mais velho” Defender 90 HARD TOP quase da mesma cor

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Dez carros parados e uma troca sob chuva

Encostamos os dez veículos do comboio em um posto de combustível. Chovia bastante. Felizmente, o operador do posto permitiu que o Defender permanecesse ali durante a troca do pneu, desde que os demais carros liberassem a área. Reposicionamos o grupo e começamos o trabalho.

Localizamos o segredo da porca de roda, a chave e o macaco. Pedi que elevassem a suspensão do Defender antes de posicionar o macaco, para facilitar a operação. Também colocamos um calço de roda: embora o piso fosse plano, o veículo poderia se deslocar ao ser levantado.

Com o carro ainda apoiado no chão, afrouxamos as porcas. Só então posicionamos o macaco no ponto de apoio correto e erguemos o veículo. Eu já havia estudado esses pontos na oficina, um detalhe que ajudou bastante naquela situação. Enquanto isso, outra parte do grupo retirava o estepe, preso por um sistema com dupla segurança.

Com o estepe pronto e a roda danificada fora, fizemos a substituição. Apertamos as cinco porcas inicialmente e baixamos o carro para concluir o aperto com ele apoiado no chão. Quanto menos tempo um veículo permanecer erguido no macaco, melhor.

Logo da oficina em nosso New Defender.

Logo da oficina em nosso New Defender.

Belo céu e o comboio.

Belo céu e o comboio.

Mais uma do céu e nosso comboio nas Highlands.

Mais uma do céu e nosso comboio nas Highlands.

Estradinhas bucólicas, estas ainda tinham acostamento …

Estradinhas bucólicas, estas ainda tinham acostamento …

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Aproveitamos a parada para abastecer os carros, também como forma de agradecer ao operador do posto pela ajuda e pelo espaço cedido em meio à chuva. Depois, seguimos viagem.

Parece um contratempo pequeno quando contado assim. Na hora, com dez carros parados e um pneu para trocar sob chuva, foi um verdadeiro perrengue. Mas situações como essa aproximam as pessoas. Voltamos à estrada com o comboio um pouco mais unido — e com mais uma história para contar.

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