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New Defender e tecnologia

Tecnologia embarcada e técnica de condução

Por Augusto Carvalho | Fotos Divulgação

Desde que a Land Rover parou de importar o Defender no Brasil, em 2011, vivemos um tempo de saudosismo enorme e os valores dos veículos têm subido mais que criptomoeda. Mas isto não ocorreu somente no Brasil. Mesmo na Inglaterra, após o término da produção em 2016, os valores se mantém altos. O fato de que a Land Rover teve que interromper a produção do veículo, seja por legislações cada vez mais restritas de segurança ou controle de emissões de poluentes, aqueceu ainda mais as especulações de como será o novo Defender, que não deve chegar por aqui antes de 2020.

Os saudosistas clamam por um veículo off road rústico, sem muita eletrônica, mas na minha humilde opinião, temos que seguir com a evolução tecnológica e aplicá-la dentro de um conceito de aventura, robustez e capacidade off road, que sempre foi a base dos veículos de logo oval verde.

Se analisarmos, o Discovery quando foi lançado, nada mais era do que um Defender confortável, que mantinha sua mecânica e chassis, porém com uma carroceria mais adaptada ao uso no dia a dia. E a família Land Rover não parou de evoluir nesta direção, trazendo mais conforto, desempenho e tecnologia. Porém sempre firme na capacidade fora de estrada.

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Quando o Defender foi atualizado em 2007 com os motores Puma e novo câmbio de seis marchas, duas melhorias foram introduzidas sem muito alarde. A primeira foi o controle de tração, presente hoje até em carros de passeio, que proporciona uma ajuda enorme em terrenos escorregadios. Muita gente confunde o seu uso com o do bloqueio de diferencial central, que existe desde o lançamento dos Defenders. Mas qual é então a diferença na prática?

Bom, mas para entender o que é o bloqueio de diferencial, precisamos entender primeiro para que serve o diferencial.

Ao imaginarmos uma curva, podemos facilmente perceber que as rodas internas percorrem uma distância menor que as externas. Caso a força enviada pelo motor para as rodas fosse a mesma, a dirigibilidade seria mais difícil e o carro tenderia a “sair de frente.”

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Para tanto, o diferencial foi desenvolvido enviando força para onde houvesse menor resistência, no caso de uma curva, para a roda interna. Isto foi ótimo para a dirigibilidade em piso regular, mas o que acontece no off road, com pisos escorregadios ou erosões onde as rodas podem até perder contato com o solo? Neste caso, o diferencial envia a força para aquela roda que está patinando no barro ou até mesmo no ar (com menos resistência, lembra?) enquanto a roda que está firme na outra ponta do eixo não recebe força motriz e assim o carro não consegue sair do local.

O bloqueio de diferencial central atua de forma mecânica dividindo a força motriz do veículo 50% para o eixo dianteiro e 50% para o traseiro. Desta forma, caso o veículo perca a tração em um dos eixos o outro eixo puxaria (dianteiro) ou empurraria (traseiro) o carro até sair do trecho ruim. Mas o que aconteceria se o problema ocorresse ao mesmo tempo nos dois eixos? Bom, o carro ainda não sairia do local e as rodas ficariam patinando em falso (veja figuras).

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Nesta situação, o Controle de Tração pode ser a salvação. Este sistema trabalha com sensores individuais nas rodas (acelerômetros) em conjunto com o sistema de freios e caso alguma roda apresente velocidade maior que a outra (aquela roda girando solta no ar ou patinando no barro), ele aplica o freio nesta(s) roda(s), simulando uma resistência ou atrito, fazendo com que o veículo consiga sair das situações mais difíceis, mesmo com muito pouca aderência.

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A segunda inovação veio com o sistema Anti-Stall, que dificulta a situação que o motor “morra” devido ao baixo giro do motor. Existe um famoso vídeo gravado em Eastnor onde um Defender puxa uma carreta enorme, para evidenciar a eficácia do sistema, o instrutor sai do veículo e o mesmo segue puxando a carreta “sozinho”. Inclusive, por conta disto, o uso da embreagem, nos modelos Puma é diferente das versões anteriores. Esta característica permite um excelente controle do acelerador em situações difíceis, como subida em rochas ou pisos extremamente lisos como gelo, por exemplo.

Então, acredito que assim como o Discovery um dia nasceu da evolução do Defender, hoje, o novo Defender, será desenvolvido a partir dos avanços tecnológicos do Discovery e toda a linha Land Rover, porém com intuito de permanecer com suas características próprias de robustez e inigualável capacidade fora de estrada.

Aguardamos com ansiedade o New Defender!

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