Sonhamos muito com essa viagem. Por muito tempo brincávamos de dizer “um dia vamos para São Pedro de Atacama de carro”! Mas quando se está lá, os olhos não acreditam nem no que vemos e nem onde estamos! Surreal.
Por Tatiane e Bruno Harger
Partimos logo cedo no dia 12 de outubro de 2017, a primeira parada foi Ciudad de Leste, Paraguai. No dia seguinte o destino foi Avia Terai, na Província Chaco na Argentina. De lá partimos para Salta em uma ótima Ruta.
A partir deste dia começaríamos a marcar no mapa vários locais do norte da Argentina e no Chile até San Pedro de Atacama.
De Salta seguimos o nosso roteiro visitando El Carmen, Jujuy, Purmamarca e suas cores maravilhosas no Cerro de los Sete Colores, logo a frente na Posta de Hornillos, o Cerro Paleta del Pintor, povoado Humauaca até a Quebrada de Humauaca quase fronteira com a Bolívia.
Nosso retorno foi a Tilcara onde nos hospedamos e achamos a melhor escolha, povoado cheio de tranquilidade e gente boníssima. O norte da Argentina nos surpreendeu pela quantidade de cactos, os Cardones, e pela grande alternância de visual.



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No dia seguinte partimos para o Passo de Jama pela Cuesta de Lipan, pela Ruta 52. Curvas que nos levam a uma altitude de 4.100m e logo ali já visitamos o deserto de sal, Salinas Grande, nosso último local a ser visitado na Argentina e indescritível visual. Antes de cruzar a fronteira, o Salar Jama. De lá cruzamos para o Chile e já estávamos em um trajeto surreal que nos levou a San Pedro de Atacama, a rota que nos proporcionou aos olhos imagens inesquecíveis. Areia, rochas, sal, muito frio e neve. Quando percebemos estávamos a uma altitude de 4.580m, a sensação de liberdade só aumentava. Pela primeira vez, pude ver a neve, que ainda se mantinha lá no topo por causa dos ventos muito gelados, ao lado a imagem do Salar de Tara e logo no horizonte o Vulcão Licancabur. No Salar de Tara, na Reserva Nacional los Flamencos pudemos sentir o silêncio, nossos pensamentos estavam calmos, estávamos absolutamente sozinhos ali. Os Monjes de la Pacana com rochas enormes, de erupções vulcânicas.
Ao anoitecer chegamos a San Pedro, meu pés estavam no Atacama!
Naquela noite, parecia que o céu estava mais próximo da gente, uma noite linda, muitas estrelas.
No dia seguinte uma coisa inédita aconteceu. Eu acordei antes da hora que marcamos, perdi o sono! Acordei e perdi o sono. Na minha existência não lembro de outro dia sequer que isso tenha acontecido. Posso afirmar, nunca!
Ali era meu coração batendo mais forte, me lembrando que era real, eu e meu marido conquistamos mais um sonho juntos. Trabalhamos muito sempre, e em parceria para tudo na nossa vida, fomos aos poucos conquistando muito.
“Logo estávamos lá, antes do amanhecer, e a escuridão mostrava o contraste da fumaça que brotava do chão."


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Eu estava com todo o roteiro em mente, louca pra ir logo. Naquele dia, o primeiro no Atacama, fomos conhecer Pukara de Quitor. Logo depois Valle de La Luna. Vimos a vista pela pedra Coyote, de onde da pra ver todo o vale. Depois seguimos de carro por uma estrada de pedra e sal para encontrar as Tres Marias, rochas. De lá fomos para a Laguna Tebinquinche e Ojos del Salar. De novo tinhamos a imagem de lagoas formadas pelo degelo das Cordilheiras dos Andes em meio a muito sal. Já depois na Laguna Cejar tinha chegado a hora de boiar, coisa que nunca consegui na vida! E lá com a água muito salgada e ainda muito mais gelada. Gratificante, nem deu pra sentir frio, foi único.
Dia seguinte era hora de conhecer os Geysers el Tatio, madrugamos nesse dia 5h da manhã pegamos a estrada. Logo estávamos lá, antes do amanhecer, e a escuridão mostrava o contraste da fumaça que brotava do chão. O frio estava de congelar, naquele dia marcou -3°C, mas eu duvido, certeza que era menos. Estava congelante, mas de novo surpreendente. Logo o sol nasceu e fez aquela imagem mudar a todo instante. De perto pudemos escutar o barulho da água fervendo brotando dos Geysers ativos. Saindo de lá pegamos a estrada e retornamos ao povoado Machuca. E lá uma grande surpresa: flamingos.
“Viajar nos faz evoluir, e só entendemos sentindo com o coração!"




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Pude fotografar muitos deles, lindos. Estavam no Vado Putana, como se fosse um pequeno rio. E aproximadamente 40 km dali chegamos a Termas de Puritama. São oito piscinas naturais de águas quentes com temperaturas de 28° a 34°, com pequenas cachoeiras em cada uma dessas piscinas. Não dava para acreditar que em uma distância tão pequena a paisagem mudasse tanto.
Dia seguinte era hora de encarar o retorno pelo Paso Sico, mas antes, sentido Lagunas Miscanti e Miniques encontramos a surpreendente Laguna de Salar e Talar, o que era aquilo tudo!
E mais lindo ainda, mais a frente estavam as Piedras Rojas! Uh esse lugar, talvez meu preferido! Logo após cruzamos fronteira com Argentina. Ainda pelo Paso Sico passamos pelo Viaduto la Polvorilla, e mais a frente San Antonio de los Cobres. Olhávamos ao redor e a paisagem já não mudava tanto, aquele visual seco, rochoso e cheio de Cardones novamente! E ali nos despedíamos das imagens que estão marcadas em nossa memória.
Conhecemos muitas pessoas, grupos de moto de São Paulo, casal de Curitiba, casal de mochileiros e muitos policiais, que quando nos abordavam, e acabávamos trocando algumas palavras, ja quebrávamos a formalidade e logo estavam querendo saber mais sobre onde íamos ou de onde vínhamos. Trocas, de histórias e simples palavras que nos fazem aprender. Lá naquele silêncio absurdo nos lugares todos que estivemos nesta viagem, pudemos ver que nossas escolhas diárias nos fazem seguir o caminho certo. Viajar nos faz evoluir, e só entendemos sentindo com o coração!
Países visitados: Paraguai, Argentina e Chile
Land Rover: Defender 110 2.4 Tdci
Dias de viagem: 13
Distância percorrida: 6.000 km
Altitude máxima: 4.700m