Por Vinícius Maestrelli
Neste nosso quarto artigo, abordaremos um assunto de interesse dos proprietários dos Defenders equipados com motorização Ford 2.4 TDCI, o famoso motor PUMA.
Em 1994 o grupo ROVER foi adquirido pela BMW e em 2000 a BMW desfez o grupo, ficando com a MINI, cedendo as marcas MG e ROVER para o consórcio Phoenix Venture e vendendo a LAND-ROVER para a FORD. Em 2005, por conta da necessidade de atender à legislação ambiental encerra-se a produção do DEFENDER no Brasil e passa-se a importar o modelo, vindo muito poucos veículos com motorização Td5 no ano 2006 e, em 2007 a FORD adota o mesmo motor da VAN FORD TRANSIT para equipar o DEFENDER. E eis que surge o problema. Como acoplar a caixa de 6 marchas MT82 da Ford com a caixa de transferência R380 da LAND-ROVER?
Foi aí que a Engenharia da marca optou por utilizar um túnel de interligação com um “Eixo de Transição”. Este eixo basicamente tem de um lado as estrias de acoplamento à caixa de 6 marchas MT82 da Ford e do outro lado as estrias de acoplamento à caixa de transferência R380 da Land-Rover, e para evitar vibrações indesejadas este eixo precisou ser “flutuante”.
A figura acima ilustra os componentes deste sistema, sendo, da esquerda para a direita, a capa plástica, o calço amortecedor, o eixo de transição com seu anel elástico e a luva para a caixa MT82 Ford.
Na foto ao lado o conjunto montado a título de demonstração, onde nota-se que a capa plástica é travada com uma cinta hellerman, o famoso “enforca gato”.
Conhecedores agora de como é o sistema, podemos afirmar que assim como o garfo original da embreagem do defender Tdi, se não verificado adequadamente, vai furar no ponto de apoio deixando você na estrada com o pedal grudado no assoalho e sem embreagem, podemos também afirmar que:


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Este eixo de transição do defender PUMA, se não verificado adequadamente, vai te deixar na mão por perda de acoplamento devido ao desgaste do estriado e desacoplamento do mesmo, e neste momento você ficará sem tração. Isto é líquido e certo.
O que ocorre é que, devido à inexistência de lubrificação e fragilidade do sistema de encaixe e travamento, ao longo da vida útil o estriado irá se desgastar, as forças e os trancos da vida irão promover o deslocamento axial do eixo por ineficiência do anel elástico e te deixarão na estrada sem tração.
E aí? Como Diagnosticar? Quais os sintomas? Como prevenir? Como corrigir? Como remediar numa situação de emergência?
Então vamos lá. Vou falar um pouco sobre o que vivi com meu primeiro defender PUMA no intuito de auxiliar os leitores e orientá-los sobre o que observar no seu carro e facilitar o diagnóstico do problema. Meu primeiro defender puma era do ano de 2010 e me deixou na estrada, sem tração, com apenas 75 mil km. Com esta viatura fiz muitos passeios de baixa e média complexidade. Observava que sempre que acionava a reduzida e o bloqueio, quando forçava em primeira marcha ouvia um barulho de chocalho, semelhante ao do guizo de uma cobra cascavel. Este barulho sumiu depois que fiz a troca deste eixo de transição que me deixou parado na estrada. Então coloco isto como um sintoma a ser observado pelos leitores no decorrer do uso de seus Defenders puma em situação semelhante. Outro sintoma observado era um certo tranco nas trocas de marcha. Eu já acostumado com o carro e com a embreagem, fazia uma troca macia de marcha e praticamente neutralizava o tranco, mas quando outra pessoa dirigia o carro os trancos eram nítidos. E não era questão de dirigir bem ou mal, era só questão de costume mesmo. Depois da troca do eixo de transição pelo novo estes trancos também foram bastante reduzidos. Ou seja, estes são dois sintomas importantes que podem e devem ser observados pelos proprietários de Defender com motorização PUMA.

E para prevenir? Para prevenir eu diria que o ideal é não perder as oportunidades. Se você percebe os sintomas acima citados, programe com seu mecânico uma parada da viatura para fazer uma inspeção deste eixo. Se não identificou estes sintomas, então fique atento para numa eventual oportunidade, tipo para troca do conjunto de embreagem, aproveitar e separar as caixas para fazer a inspeção e manutenção deste eixo de transição.
E para corrigir? Para corrigir existem duas possibilidades. Uma delas, a mais cara, é importar da Aschcroft Transmissions no Reino Unido, o kit abaixo, que custa lá na Inglaterra na faixa de 300 libras e que foi desenvolvido para regularizar a deficiência de lubrificação e a fragilidade de travamento do movimento axial entre as peças.
A outra possibilidade é uma solução “caseira”, mais barata e com os mesmos objetivos, mediante a limitação do movimento axial e a montagem do sistema com graxa grafitada tipo Molycote A2, segundo o esquema abaixo, que consiste basicamente da abertura na luva de 4 furos com rosca M6 para parafuso allen com sextavado interno e no eixo a confecção de 4 rebaixos com 8 mm de diâmetro e 3 mm de profundidade. Na montagem estes quatro parafusos NÃO PODEM SER APERTADOS, eles deverão ser encostados no fundo e daí retornados em ½ volta, para que não fiquem travados no eixo e venham a transferir vibrações indesejadas para o carro.


Feito isso você terá a garantia de que o deslocamento axial não mais acontecerá, que as áreas estriadas das peças ficarão em contato permanente e que você não ficará na mão por falta de tração. Mas sempre que tiver de baixar a caixa, NÃO PERCA A OPORTUNIDADE DE SEPARÁ-LAS para, pelo menos, inspecionar este eixo, lavar e lubrificar o mesmo.
Tudo bem, mas e como remediar numa situação de emergência? Digamos que você está lá na Argentina, em Punta Arenas, num lugar com mínima estrutura, com toda a família no carro e te acontece um caso destes. Perda total de tração. Pois bem. Feito todas as verificações de posicionamento das alavancas de marcha e reduzida, feito o teste de bloqueio para identificar que não é o caso de rompimento de ponta de eixo ou rotação de tulipa, ou seja, você engatou o bloqueio e mesmo assim o carro não andou. Então existe ainda uma tentativa de não estragar totalmente a viagem e, pelo menos, rodar para chegar num lugar mais estruturado. Para tanto, remova os 6 parafusos destacados em vermelho desta tampa traseira da caixa de transferência e verá bem no centro da engrenagem a ponta do eixo de transição. Com um batoque de madeira, tipo o cabo de um martelo, desloque-o de volta para dentro da caixa, forçando-o a encaixar na luva de saída da caixa de marchas. Remonte a tampa, aperte os 6 parafusos e dirija evitando trancos até chegar em algum lugar mais seguro e com mais infraestrutura.
Piscada de Farol e abraço reduzido e bloqueado a todos.
Vinícius Maestrelli