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Land Rover Discovery I: a história do SUV que mudou o jogo para a Land Rover

Havia uma lacuna enorme, que vinha sendo preenchida pelas montadoras Toyota e Nissan.

Por Eduardo Rocha | Fotos Divulgação

A história do Land Rover Discovery começa no final dos anos 1980, após um período de cerca de dez anos em que a British Leyland, sempre bem-sucedida na produção de veículos off-road, enfrentava um dilema. Os Land Rover 90/110 (que se tornariam Defender em 1990), eram rústicos demais para quem buscava conforto no uso diário. E o Range Rover, que ano após ano se tornava mais luxuoso e caro, e reinava sozinho no segmento de utilitários esportivos de luxo. Ambos atendiam bem a esses segmentos do mercado, mas havia uma lacuna enorme, que vinha sendo preenchida pelas montadoras Toyota e Nissan: o segmento de utilitários esportivos familiares, com bons recursos e conforto, mas preços razoáveis. Era uma grande fatia do mercado, não podendo ser ignorada.

Era nítido que a engenharia da British Leyland estava perdendo essa oportunidade, e o indicador disso eram os resultados de vendas. Algo precisava ser feito.

A resposta viria com o nome de “Project Jay”.

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O Projeto Jay: Briefing

Era necessário um produto intermediário com as seguintes características:

-Conforto para uso diário.
-Excelente capacidade fora de estrada.
-Espaço para famílias.
-Preço mais acessível que o Range Rover.

Os trabalhos na nova linha de produtos começaram em 1986. Eles utilizaram como base a plataforma e o conjunto motriz dos Range Rover. No entanto, tiveram especificação e acabamentos mais simples. Isso foi feito para posicionar o produto de acordo com as ambições do mercado intermediário, onde as montadoras japonesas avançavam rapidamente.

Com o enorme sucesso do Range Rover, introduzido no mercado norte-americano, os executivos da Rover tiveram o fôlego e a confiança necessários para dar início à montagem do Projeto Jay.

Era preciso de desenhar uma carroceria moderna e atraente. O trabalho de estilo foi concluído em menos de um ano, durante 1986 e o início de 1987 — um feito inimaginável para a época.

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De modo a reduzir custos e acelerar o cronograma, a engenharia utilizou uma estratégia inteligente chamada “parts bin” (aproveitamento de peças de outros modelos do grupo British Leyland/Austin Rover):

  • Os faróis vieram da van Freight Rover Sherpa.
  • As lanternas traseiras, da van Austin Maestro.
  • As maçanetas das portas em pá, do Morris Marina.
  • Os comandos do painel, do Austin Montego.
  • O chassi, praticamente idêntico ao do Range Rover Classic, possui um entre-eixos de 100 polegadas.

Em 1988, o design já estava praticamente definido, assim como os conjuntos de motor e transmissão também. Seriam o 3.5 V8 com dois carburadores SU e o novíssimo Land Rover 200Tdi, em substituição ao VM Motori Turbodiesel utilizado nos Range Rover. O câmbio era o LT77, também dos Range Rover. Sua missão: acabar com a vantagem alcançada pelos japoneses no mercado de utilitários esportivos (ainda não se usava essa terminologia na época).

O novo modelo, que teve os nomes Prairie Rover e Highlander cogitados, acabou por se chamar Discovery.

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Nasce um novo Land Rover.

Quando fez sua primeira aparição no Salão de Frankfurt, o Discovery, primeiro modelo novo em vinte anos, causou euforia. Ou seja, a sobrevivência da marca no século 21 estava garantida e com munição suficiente para conter a invasão japonesa no mercado mundial. “É um veículo de lazer não voltado para o consumidor de luxo— para isso temos o Range Rover —, mas sim para aqueles em franca ascensão financeira”, disse Chris Woodark, diretor comercial da marca.

Inicialmente, foi oferecido somente na configuração de 3 portas e 5 lugares, para preservar o Range Rover. Tinha muito estilo, com grafismos modernos nas faixas adesivas que remetiam à aventura, janelinhas alpinas (as laterais superiores na curva do teto) e o teto escalonado. Além disso, apresentava um interior arrojado, com plásticos macios ao toque, uso de cores suaves como o Sonar Blue (maravilhoso) e uma série de itens para agradar a família moderna.

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Primorosamente desenhado pelo Conran Design Group, liderado pelo famoso designer Sir Terence Conran, e mesmo com tantas peças emprestadas, o resultado visual era surpreendentemente único e harmônico— a ponto de ganhar o British Design Award de 1989.

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Primorosamente desenhado pelo Conran Design Group, liderado pelo famoso designer Sir Terence Conran, e mesmo com tantas peças emprestadas, o resultado visual era surpreendentemente único e harmônico— a ponto de ganhar o British Design Award de 1989.

As inovações foram muitas, e até um engenheiro japonês foi flagrado (e convidado a se retirar) do Frankfurt Motor Show, por estar raspando amostras das texturas dos plásticos do Discovery.

Quando a revista Autocar conseguiu um modelo para testes e pôde compará-lo ao Isuzu Trooper e Mitsubishi Shogun, deu o veredito fatal aos japoneses: “Mais rápido, mais econômico, com melhor dirigibilidade e equilíbrio graças à tração nas quatro rodas permanente. Seu interior está muito à frente de seus concorrentes. A única dificuldade que a Land Rover deverá enfrentar é que as pessoas estão se acostumando às cinco portas, ainda não disponíveis no modelo.”

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A chegada da versão de quatro portas.

Em 1990, surgiu a versão que se tornaria a mais conhecida e vendida no mundo todo: a de 5 portas.

As duas portas laterais traseiras (que proporcionam melhor acesso ao banco traseiro) vieram acompanhadas pela opção de sete lugares e, com isso, tiveram melhor aceitação entre as famílias. Dessa forma, essa versão passou a representar quase a totalidade das vendas do modelo.

Ainda em 1990, a versão V8 recebeu um sistema de injeção EFi, substituindo os carburadores SU. Além disso, foi criada uma outra versão, a 2.0 MPi, que foi bastante impopular. Essa versão foi considerada inútil pelos conhecedores, tanto em uso on-road quanto off-road, provavelmente devido à falta de força.

Como padrão, todos eram equipados com tração integral permanente, caixa de redução, diferenciais robustos e um excelente conjunto de suspensão. Essas características fizeram do Discovery um dos veículos mais respeitados entre os praticantes de expedições e do off-road.

Ao longo de sua vida, o Discovery recebeu diversas atualizações que fortaleceram ainda mais sua competitividade no mercado internacional.

Em 1992, recebeu airbags opcionais e melhorias no acabamento.

Em 1993, o motor V8 3.9 substituiu o V8 3.5.

Em 1994, o modelo recebeu uma grande atualização, com novos faróis, grade redesenhada, painel completamente novo (mais arredondado), melhor isolamento acústico, novos bancos e acabamento superior. O motor 200Tdi foi substituído pelo motor 300Tdi, mais silencioso, econômico e confiável.

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Projeto “Romulus”

Produzindo cerca de mil unidades por semana, a Land Rover decidiu revisar o projeto do Discovery para viabilizar sua reentrada nos mercados dos Estados Unidos e Canadá por meio da Land Rover North America. Todos os modelos NAS (especificação norte-americana) receberam o motor V8 3.9 litros, proveniente do Range Rover SE, que foi substituído posteriormente pela versão 4.0.

De 1995 a 1998, o Discovery recebeu upgrades de segurança e conforto. Essas melhorias incluíram freios ABS, ar-condicionado, bancos elétricos com estofamento em couro e teto solar duplo elétrico. Além disso, houve uma atualização no gerenciamento eletrônico do motor, que migrou do sistema Lucas 14CUX para o GEMS. Este novo sistema foi desenvolvido em parceria com a empresa francesa de tecnologia Sagem.

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Reputação construída no off-road

O Discovery, com sua tração 4×4 permanente, caixa de transferência de duas marchas e o diferencial central bloqueável, é um conjunto mais do que comprovado no fora de estrada. A grande ferramenta de marketing da Land Rover para seus modelos na época, foi mostrar sua robustez por meio de participações no Camel Trophy, a mais árdua competição off-road disputada em regiões inóspitas ao redor do mundo. Assim como ocorreu com outros modelos, como Defender e Range Rover, o Discovery teve sua imagem consolidada como um utilitário de verdade, e não apenas um utilitário esportivo com aparência aventureira.

Capacidade, conforto e versatilidade, sendo ao mesmo tempo prático para o dia-a-dia.

Em 1998, a Land Rover apresentou seu sucessor, o Land Rover Discovery Series II.

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