Para este nosso primeiro artigo abordando a motorização Tdi, seja dos “Defenders” ou dos “Discoveries” não tem como falar de outro tema que não seja o sistema de arrefecimento.
Por Vinícius Maestrelli
Este sistema é composto por alguns itens críticos que procuraremos tratar aqui. O sistema de arrefecimento contém, além do radiador e mangueiras facilmente identificados por todos, o vaso de expansão, a tampa do vaso de expansão, o ejetor, a bomba dágua, a válvula termostática, os famosos plugues plásticos, o tubo metálico para o sistema do ar quente, o radiador do ar quente, os selos do bloco e cabeçote, o conjunto hélice com seu elemento viscoso, o sensor de temperatura e por fim o fluído de arrefecimento.
Como podem ver temos muito assunto para tratar aqui sobre cada um dos elementos deste sistema, suas vulnerabilidades e cuidados. Procuraremos trata-los priorizando-os em função da criticidade de cada um.
Abordaremos neste primeiro artigo dois tópicos. O procedimento correto para enchimento do sistema e eliminação de ar e os aspectos envolvendo os dois famosos plugues plásticos, um posicionado sobre o radiador e outro posicionado bem na frente do motor, na campânula da válvula termostática. Estes plugues foram aí posicionados para permitir a eliminação da presença de ar no sistema de arrefecimento durante a fase de enchimento, por isto que eles estão no ponto mais alto do radiador e do bloco do motor respectivamente.
Existe uma lenda sobre estes plugues que diz que eles são plásticos para atuarem como um “fusível”. A alegação seria de que no caso de um aumento de pressão ou temperatura do sistema eles se romperiam para proteger o motor. Esta alegação não se sustenta, pois seria o primeiro caso de um fusível que perante uma anomalia termina por danificar tudo. Seria como ter na sua casa um fusível na entrada de luz que no caso de um distúrbio na rede elétrica permite que pegue fogo na casa ao invés de isolar da rede para protege-la. Não vamos entrar aqui no motivo de serem em plástico mas o fato é que devem ser substituídos por plugues metálicos o mais rápido possível, pois se não tiverem a preventiva adequada irão falhar. E como tenho dito a quem me pergunta é melhor encarar a troca de forma planejada do que eles falharem por ressecamento num passeio ou à noite numa estrada deserta e com a família dentro do carro. A troca destes plugues abordaremos na sequência, mas vamos retomar o assunto do enchimento do sistema.
Para o enchimento correto do sistema, estando o carro em um piso nivelado, com todas as mangueiras adequadamente instaladas e com suas abraçadeiras apertadas, inicia-se adicionando fluído de arrefecimento pelo reservatório de expansão até que surja fluído no orifício superior do radiador, isto significa que o radiador está cheio e sem qualquer bolsão de ar. Neste momento para-se de adicionar o fluído e instala-se o plugue do radiador, utilizando um plugue com rosca BSP (paralela) com sede de vedação para um anel o’ring de borracha conforme o part-number ERR4686 (figura no alto da página ao lado). Evite usar bujões hidráulicos com rosca NPT (cônica) pois este tipo de rosca promove a vedação nos fios da mesma e por ser cônica, forçam a peça de alumínio que é fundida e corre-se o risco de trincamento e comprometimento da campânula da termostática ou da caixa do radiador, ambos itens de alto valor em caso de necessidade de substituição.



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Instalado o plugue adequado prossegue-se com a adição de fluído até que o mesmo apareça no orifício da campânula da termostática. Isto significa que todo o bloco do motor, cabeçote e radiador do ar quente estão cheios. Neste momento interrompe-se a adição de fluído e instala-se o plugue no orifício da campânula seguindo as orientações acima.
Com os dois plugues apertados e com o intuito de garantir a eliminação de qualquer bolha de ar no sistema, recomenda-se a desconexão da mangueira fina que sai da campânula da termostática para o ejetor, o tamponamento da mangueira com um “batoque” de madeira ou mesmo um parafuso, e a instalação na conexão da campânula de uma mangueira cristal, daquelas finas e transparentes, de forma que a outra
ponta desta mangueira chegue até o reservatório de expansão que será mantido neste momento sem a tampa. Nesta condição, funcione o motor em marcha lenta por alguns minutos para acompanhar a circulação de fluído pela mangueira transparente onde poderá observar que num primeiro momento ela permanece sem circulação e à medida que todo o ar do sistema vai saindo por ela vai sendo possível visualizar o início da circulação de fluído até que as bolhas de ar vão rareando. Estas bolhas não cessarão mas reduzirão bastante e é normal que algumas passagens de ar pela mangueira cristal sejam observadas.
Quando estiver nesta condição, pare o motor e remova a mangueira cristal, reconecte a mangueira do ejetor na campânula, verifique o nível do reservatório e acerte se necessário, instale a tampa, aperte-a com a mão e pronto. Seu sistema de arrefecimento estará cheio e isento de bolhas de ar. Funcione o motor novamente e deixe-o funcionando até que o ponteiro da temperatura do fluído no painel atinja o ponto normal de funcionamento, que seria algo como 10:55 horas num relógio analógico. Nesta condição observe todos os pontos quanto a vazamentos. Se tudo ok, numa condição de motor frio novamente, confira e corrija se necessário o nível de fluído no reservatório, confira o aperto de mangueiras e fique atento ao surgimento de manchas da mesma cor do aditivo utilizado no interior do cofre do motor. Eles denotam a existência de algum vazamento de fluído aquecido, onde a água evapora e o fluído fica depositado no local.
Entenda-se como fluído de arrefecimento o produto obtido pela mistura de água desmineralizada com aditivo para radiadores de automóveis e veículos comerciais leves movidos à gasolina, etanol, GNV ou diesel. Produto de tecnologia orgânica, com etilenoglicol, isento de nitrito e silicato na proporção de 1 para 1, ou seja, para cada litro de aditivo um litro de água desmineralizada. O manual da Land-Rover recomenda o Texaco XLC, substituído pelo Havoline XLC Extended Life e para completar todo o sistema de arrefecimento necessita-se de 11,5 litros de fluído.
Seu ponteiro do painel não chegou na temperatura ideal? Tem duvida se sua termostática está boa e não sabe como testá-la? Sua tampa do vaso de expansão sempre vaza um pouquinho? Tem dúvida se seu ejetor está funcionando bem e não sabe como limpá-lo? Então aguarde as cenas dos próximos artigos.
Uma piscada de farol e um abraço reduzido e bloqueado à todos.