Pátina ou pintura nova? Temos aí uma questão pra ser levada em conta em uma restauração. Esta forma de restauração, ou, seria melhor dizer, “não restauração”, está em moda. Muitos aficionados por carros antigos têm esta preferência, ou seja, deixam o veículo com suas marcas do tempo, mostrando, não só a beleza destes bólidos, mas também as cicatrizes de suas aventuras ao longo dos anos.
Controvérsias existem, há os puristas que querem ver seus carros brilhando como novos, cromando as partes metálicas, pintura nova metalizada , estofamentos novos , etc, parecendo que acabou de sair da concessionária, mas há aqueles que simplesmente querem vê-los rodando, mantendo sua originalidade no estilo usadão mesmo, sem frescura.
Muito embora existam alguns restauradores que trabalham com o conceito de pintura envelhecida, ou seja, reproduzem artificialmente o resultado de uma aparência desgastada e enferrujada, o que abordamos aqui é aquela pátina obtida realmente com o uso, o desgaste natural do tempo.
Clique na imagem para ampliar
É comum quando compramos um carro antigo pra restaurar imaginarmos como primeira providência refazer a pintura, deixá-la como nova com alto polimento e brilho impecável, mas na pátina não é assim, é justamente o contrário. A ideia é deixar como está, ou seja, um carro que por onde passa já escuta – Lá vai um herói da resistência, um guerreiro. E porque não dizer também que junto vai um herói ao volante, pois o prazer de ter um carro antigo está bem próximo de seus dissabores, um limite tênue entre ter um carro que certamente proporcionará muitas alegrias, mas, eventualmente, uma dorzinha de cabeça.
Com os Series também é assim, na Inglaterra podemos constatar que esta é uma prática bem atual, uma grande parte dos Séries que vi por lá é mantida desta forma, sem restaurar a pintura, peças ou acessórios, aliás, não é preciso ir longe, os freqüentadores do Ebay podem facilmente notar que as peças antigas anunciadas não são nem limpas! Existe o cuidado em deixá-las no estado natural, e muitas vezes são compradas e instaladas nos veículos do jeito que estão sem limpar ou cromar. Várias peças que comprei vieram assim, sujas até de graxa, é interessante notar que o valor destas peças, muitas das vezes, são diferenciadas por esta razão. Em contrapartida, existem também os chamados “old new stock”, mas este é um assunto que vair render uma outra matéria.
Este efeito da pátina é até bem interessante nos Land Rover Series, por serem de alumínio, a tinta tem uma aderência diferente, e acabam riscando mais facilmente, dessa forma, quem adota este modelo tem um cuidado maior com a mecânica, suspensão e freios e, o resultado é um Series mostrando uma roupagem bem radical, principalmente daqueles que foram usados na agricultura, roçando pastos, carregando lenhas e tonéis de alumínio, e outros ainda bastante usados em serviços mais pesados como pequenos guindastes, guinchos, e até em corporações dos bombeiros.
Clique na imagem para ampliar
Há outro efeito, o chamado “naked” utilizado nos Séries, aquele em que se retira toda a tinta e deixa tudo no alumínio, o resultado é bem provocativo, sem a preocupação com pintura e arranhões, um simples polimento já resolve tudo.
Clique na imagem para ampliar
Respeitando as diferentes opiniões e estilos das restaurações, de uma forma ou de outra, todas acabam sempre deixando um pouco da personalidade de seu dono. O modelo despojado e displicente da pátina traz um ar ainda mais nostálgico pros Séries, um olhar envelhecido que expõe as marcas de um tempo distante e de muito trabalho e comprovam a versatilidade e robustez destes pequenos valentes. Particularmente gosto muito do modelo restaurado como novo, que mostra os Séries em sua plenitude, realçando suas cores marcantes, destacando seus equipamentos e acessórios e, ainda, a beleza de seu interior espartano ao mesmo tempo prático e bastante funcional.
Independente dessas questões, o que importa mesmo não é a forma como você vai restaurar ou suas preferências, vale a paixão pelos Séries, um sentimento inexplicável mas compreendido logo que nos deparamos com estes viciantes e notáveis veículos, é preservar uma lenda sobre quatro rodas que continua viva e presente há 70 anos. “Vida longa aos Séries”