cropped-cropped-GA_ID_NEW_wht-1.png

Viajamos com o New Discovery por uma região ainda pouco explorada, repleta de atrativos para quem gosta de viajar, fotografar ou apenas contemplar

Por Eduardo R C Rocha | Fotos Reinaldo Junqueira

Saí bem cedo de São Paulo para pegar a Rodovia Castelo Branco. Depois de 40 minutos no trânsito típico da cidade, cheguei à rodovia.

Meu rumo era a cidade de Pardinho a 207km de distância. A névoa da manhã friazinha ia gradualmente sumindo e o sol começou a aparecer. Lá fora, temperatura aumentando. No New Discovery estáveis 21 graus, piloto automático em 110 km/h e apenas o GPS ativo. Silêncio absoluto, meu companheiro de início de viagens, para organizar as idéias e planejar, afinal nunca havia visitado a região de Botucatu.

“Cerca de 14 minutos numa serrinha cheia de curvas fechadas bem apertadinhas ótima para usar os Shift paddles e abusar do torque do motor SDV6 biturbo."

cuestas_01IMG_1867_2
Clique na imagem para ampliar

Eu já tive oportunidades de viajar em outros carros da marca como Range Rover Vogue TDV8, Range Rover Sport SE TDV6 e também um TDV8. Todos muito silenciosos e fortes. Mas o New Discovery não fica atrás, confortável, silencioso e forte, com torque absurdo mas civilizado como um refinado inglês.

Peguei a saída quilômetro 193 que passa exatamente atrás do hotel Rodoserv onde nos hospedamos. O hotel é novo, organizado, confortável e limpíssimo. É certamente a opção mais estratégica pela localização (à beira da Castelo Branco), com bons quartos, ar condicionado, wi-fi, um bom restaurante com opções variadas e um ótimo café da manhã. Fica dentro de um grande posto de gasolina ou seja, é um ponto de partida excelente.

Passei por trás do hotel e segui em direção a Pardinho. Cerca de 14 minutos numa serrinha cheia de curvas fechadas bem apertadinhas ótima para usar os Shift paddles e abusar do torque do motor SDV6 biturbo. No término da Rodovia João Emílio Roder, na entrada da cidade, encontro nosso guia me aguardando no posto de combustível.

Luiz Ricardo Roder. Sim ele é de uma das famílias mais tradicionais de Pardinho, que batiza a rodovia. O rapaz alto e de voz forte e cristalina, dá um bom dia, digno de locutor de rodeio. Educado e bem humorado, como a maioria das pessoas no interior, me contou sobre tudo o que eu não sabia da região. É muito bem informado, como um guia deve ser. Além de ser administrador de fazendas como o pai, montou e gerencia a tirolesa dentro de sua propriedade, que aliás tem uma vista de tirar o fôlego.

Tomamos o rumo de Botucatu para buscar o Reinaldo no terminal rodoviário.

Voltamos para a região de Pardinho, one fomos visitar o Centro Max Feffer Cultura e Sustentabilidade criado pelo Instituto Jatobás para desenvolver e difundir a cultura da sustentabilidade na região. Sua construção utilizou uma série de técnicas utilizadas nos “edifícios verdes” com destaque para sua cobertura totalmente desenvolvida com bambu. Paramos para almoçar em Pardinho e fomos descer a Serra do Picau onde pudemos testar um pouco do comportamento do New Discovery, em terreno pedregoso (bem pedregoso) e pela Serra do Pauletti.

serra_cuesta_fIMG_1457
Clique na imagem para ampliar

De lá, fomos para o Rancho do Maluli, onde há um maravilhoso restaurante, com vista para o gigante de pedra. No Maluli fomos recebidos por um lindo cão Bernese mountain dog, que nos acompanhou o tempo todo. Bom demais quando um cão desconhecido se afeiçoa a você.

Paramos no restaurante Paineira Velha para tomar uma água e apreciar mais uma vista para o gigante e de lá fomos ao Bar do Vivan, um antigo bar e venda dirigido pelo Sr. Darci Roder, um alquimista de cachaças aromatizadas e de coxinhas famosas, que é ponto de parada obrigatório na região. O Reinaldo pôde degustar cachaças aromatizadas com Sassafrás, Canela e com um tipo de pêssego ainda verde, menor do que uma azeitona, mas eu por estar dirigindo fiquei apenas no aroma e na vontade.

O Vivan é um dos mais antigos estabelecimentos funcionando no estado de São Paulo (1946).

Descemos então até a fazenda onde fica a tirolesa, de propriedade da família Roder, do nosso guia, o Ricardo. Lá nos aguardavam para um café acompanhado de bolo, pão caseiro e boa prosa também. Que gente boa! Quem mora numa grande cidade como São Paulo, até se esquece que existe tanta gente gentil e hospitaleira por esse Brasil afora.

Proseamos bastante, mostramos o New Discovery, falamos sobre o turismo na região, ainda pouco explorado e fizemos mais fotos. Já anoitecendo, voltamos ao hotel. O dia seguinte nos reservava mais coisa bonita para se ver.

cuestaIMG_1666
Clique na imagem para ampliar
cuestaIMG_1758a
cuestaIMG_1762
cuestaIMG_1775

“Darci Roder, um alquimista de cachaças aromatizadas e de coxinhas famosas, que é ponto de parada obrigatório na região"

Acordamos às 5 horas da manhã em tempo de um rápido (e bom) café no hotel, só para tirar a cara de sono. Buscamos Ricardo na fazenda e fomos direto ver o sol nascer na fazenda onde fica a Pedra do Índio. Lá, conseguimos a autorização dos proprietários Denilson e Danilo para descer com o New Discovery até próximo do despenhadeiro, o que normalmente não é permitido a nenhum carro.

A Pedra do Indio:
No ano de 1979, o Sr. Domingos Prado Micheleto, nascido em Botucatu e que desde seus 18 anos já morava num sitio embaixo da serra aos pés das Três Pedras, comprou o Sítio Planalto, na divisa de Botucatu com o município de Bofete onde fica localizado o mirante Pedra do Índio, para que seu segundo filho pudesse ir a escola, uma vez que o transporte escolar não chegava até onde moravam. Neste sítio ele começou a construir sua vida ao lado da esposa Vanda e seu dois filhos. Com a criação de gado de corte e algumas pequenas plantações ele tirava o sustento de sua família, que alguns anos mais tarde aumentaria com a chegada do terceiro filho. Já nesta época a propriedade era discretamente procurada por alguns turistas que vinham para apreciar o belo visual que lá proporcionava. Viveu no sítio até 1994, quando mudou-se para a cidade de Pardinho onde vive até hoje.

Atualmente com 80 anos, o Sr. Domingos vai ao sítio ao menos duas vezes por semana onde tem como principal hobby o cultivo da horta. Seu filho do meio Denilson e seu caçula Danilo, hoje administram a propriedade onde investimentos em infraestrutura estão sendo realizados e em breve irá contar com uma cafeteria onde além de diversos tipos de salgados e porções ira servir um café da manhã tipico do sitio, além de trilhas e outros atrativos.

cuestaIMG_1814
Clique na imagem para ampliar

Hoje a Pedra do Índio recebe cerca de 1200 visitantes por mês todos atraídos pela paz e tranquilidade do local e pelo visual estonteante do mirante que é um dos principais cartões postais de Botucatu.

A origem do nome Pedra do Índio dá-se ao fato de que em uma de suas pedras, visualizada do ângulo correto, ser possível ver nitidamente o rosto de um índio. Também existem relatos que na antiguidade a Pedra do Índio era utilizada como observatório pelos povos indígenas que passavam pelo Caminho do Peabiru para chegar até o litoral.A Pedra do Índio está a uma altitude de 815 metros ao nível do mar e possui uma queda livre de 50 metros até sua base. Dela é possível visualizar nitidamente a cidade de Bofete e as serras de Pardinho. Com o auxilio de um binóculo também é possível avistar as cidades de Porangaba e Conchas. Uma vista panorâmica de mais de 30km.”O nascer do sol visto lá de cima é de emudecer qualquer um. A mudança das tonalidades das cuestas enquanto o sol levanta é um espetáculo. Após terminar as centenas de fotos, nos aguardava um delicioso café da manhã “da fazenda” com tudo o que tem direito, preparado pela Luciane. Após o café, seguimos em viagem. Partimos rumo às Três Pedras, na fazenda da família Prado. Depois de serpentear pelo vale e atravessar riozinhos, chegamos à fazenda. Conversa rápida com os donos e lá fomos nós.

cuestaIMG_1972
cuestaIMG_2062
cuestaIMG_1966
IMG_2044
cuestaIMG_2035
Clique nas imagens para ampliar

Essa região em particular, passaria fácil como uma paisagem europeia. O pasto é baixo e uniforme, quase uma graminha, pontuado apenas por algumas casas, árvores grandes e as imponentes Três Pedras, também formações com característica das cuestas. Os donos da propriedade construíram um conjunto simples de banheiros para atender às pessoas que lá acampam. Fico imaginando o visual do lugar numa noite de lua cheia.

Passamos pela Cantina da Figueira, restaurante na propriedade da família Moisés onde fomos recebidos por dona Neusa. O lugar é muito agradável e a comida é famosa. Mas durante a semana, não abre, acredito que só nas férias. Como em muitas fazendas da região, lá havia cães da raça Australian Cattle Dog e havia inclusive um filhote. Quase trago mais um passageiro para São Paulo.

Fizemos uma parada na cidade de Bofete (com ênfase no fê) que muitos erroneamente chamam de Bofete, se chamava Rio Bonito no século XIX e era distrito de Botucatu . Na cidade há um morro que lembra o móvel conhecido como bufê que com o passar dos anos, na boca do povo, se transformou em Bufete e depois Bofete, que passou a ser o nome da cidade em 1921.

O Morro do Bofete foi cenário da primeira perfuração profunda em busca de petróleo no Brasil. Liderada pelo fazendeiro Eugênio Ferreira de Camargo entre 1897 e 1901. Extraíram apenas dois barris de petróleo e muita água sulfurosa, que jorra até hoje em uma fonte.

Almoçamos rapidamente e voltamos para a estrada, pois ainda havia muita coisa a visitar.

Tomamos o rumo de Pardinho novamente, para visitar o Café da Cuesta e apreciar a vista da região. O café é muito charmoso e tem uma grande variedade de cafés aromatizados.

De lá fomos visitar os Chalés da Cuesta, também uma opção boa de hospedagem para quem quer ficar próximo de Pardinho.

Quando estivemos no Centro Max Feffer, nos perguntaram se queríamos visitar a Fazenda dos Bambus do Instituto Jatobás. Claro que sim!

cuestaIMG_2183
cuestaIMG_2164
Clique nas imagens para ampliar

A fazenda é um enorme jardim de bambus, com alamedas ladeadas de touceiras de mais de doze metros de altura. Na entrada há até uma área com alguns mais altos. Lá, além do cultivo, são desenvolvidas técnicas construtivas e pesquisa de diferentes usos. O bambu é apontado como o substituto sustentável à madeira. Pode ser utilizado na montagem de estruturas em construções (como no Centro Max Feffer), assim como mobiliário, revestimentos e utensílios domésticos. Suas fibras podem ser usadas também na indústria têxtil.

De lá partimos para a fazenda dos Roder para pegar o por do sol e fazer fotos na tirolesa. Chegamos lá e Ricardo já mobilizou a equipe toda. A mãe Terezinha e a tia Marilza que como Ricardo iriam descer. O pai Osmar, encarregado da frenagem na chegada a cada base. Tudo muito organizado e com o equipamento adequado. O sol se pôs e ainda ficamos mais um pouco por lá para encontrar com Robson, irmão de Ricardo, que trabalha na Embraer e que também está empenhado no desenvolvimento do turismo de aventura na região.

No dia seguinte, zarpamos rumo a Botucatu para visitar a Usina Indiana e o Museu do Café.

Um pouco de asfalto, mais um pouco de terra e chegamos à Usina Indiana, cenário perfeito para fotografar o New Discovery. Um conjunto de prédios bem grandes erguido com tijolos como a grande maioria das usinas de açúcar do estado. Esse é de 1946.

Decidimos ir a Botucatu por terra (estrada ótima). Atravessamos o rio que margeia a usina e fomos embora direto para para o Museu do Café.

IMG_2269
IMG_2287
IMG_2296
IMG_2299
Clique nas imagens para ampliar

Chegamos aos portões da UNESP, que é a mantenedora do museu. Passando por uma via muito arborizada, logo chegamos à sede da Fazenda Lageado, onde está instalado o museu. A fazenda, que no formato atual, data de 1885, foi uma das maiores propriedades particulares de produção de café para exportação no estado de São Paulo. Dá para perceber isso pelo tamanho da sede, da tulha e dos terreiros de café. Ela passou em 1934 para o controle do governo federal para saldar dividas remanescentes da crise de 1929. Em 1972 ela passa para o controle do governo do Estado de São Paulo que com a união de varias instituições de ensino superiores em 1976 deu origem a UNESP.

O museu vale a visita. Tem um acervo muito rico e bem cuidado. Dá quase para voltar no tempo a cada sala que você entra. Imperdível!

Saímos de lá direto para nossa última parada, na Fazenda Pavuna onde além de muitas cachoeiras, há uma represa onde havia existido uma Pedreira. O acesso às cachoeiras, somente a pé e não é fácil. Bom para quem gosta de trekking.

Partimos então para Brotas onde testamos o New Discovery na pista da Primavera da Serra, mas vamos falar sobre isso em uma outra matéria a seguir.

A região das Cuestas de Botucatu ainda é pouco explorada, mas é rica em atrativos e com um guia competente como o Ricardo Roder, se aproveita muito mais.

gg_icon

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *