Por Murilo Goulart
CAMEL TROPHY - 38 anos que se passaram. Uma história que se iniciou no Brasil, em 1980 quando ainda nem recebia seu nome lendário CAMEL TROPHY.
No final dos anos 70 os responsáveis pela marca dos cigarros Camel, dependente da multinacional RJ Reynolds, vão em busca de atividades de marketing para capacitá-los a divulgar a marca e aumentar as vendas do produto fora dos Estados Unidos. A subsidiária da então República Federal da Alemanha planejou uma campanha entre universidades naquele país, que consistia em um sorteio para escolher seis participantes de uma viagem de aventura de 1.000 milhas fora-de-estrada através da floresta Amazônica, em uma rota que seria executada em paralelo o famoso rio.
A viagem foi realizada e uma pequena comitiva que chegou na cidade de Belém, na foz do Amazonas. A equipe era composta de seis participantes, agrupados em três pares – O primeiro formado por Klaus Uwe Karthna Dircks e Mechel, o segundo, com Fritz Fuchs Heinrich Schoner, e o terceiro, composto por Manfred Berger e Richard Knar. Estes se juntaram a uma pequena equipe de organização, dois mecânicos brasileiros, uma equipe de filmagem e um médico.

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O ALUGUEL DOS VEÍCULOS (Jeep Ford)
Para percorrer os 1.600 quilômetros que separavam as cidades de Belém e Santarém ao longo da estrada Transamazônica, recorreram a alugar três veículos todo-o-terreno. Se tratava de três Jeep Ford U-50 fabricado no Brasil, equipados com mais um estepe extra, e um galão de combustível em uma das laterais.
A jornada começou e logo tiveram que enfrentar os primeiros problemas. Há muito tempo não estava chovendo e havia muita poeira, forçando-os a ficar de máscaras e, além disso, o chacoalho contínuo dos Jeep faziam com que as bagagens se soltassem repetidamente, de modo que, por várias vezes, eles tiveram que parar, assim, atrasando-se. Esta circunstância fez com que chegassem quase de noite ao ponto onde eles tinham que atravessar o rio Tocantins. Havia inúmeros veículos esperando pela sua vez de embarcar na balsa para levá-los à outra margem. Neste ponto, para evitar mais atrasos, a organização decidiu “negociar” com a polícia e graças a 400 cigarros e algumas camisas, conseguiu reduzir o tempo de espera ao mínimo e atravessaram o rio. Todavia lhes aguardavam 80 quilômetros de um terreno cheio de buracos e quase nenhuma visibilidade.
A primeira parada foi na cidade de Marabá, sul de Belém, que no início dos anos 80 vivia mergulhada na corrida do ouro por completo. A descoberta de ouro na população vizinha tinha aumentado a população de 15.000 para 100.000 em apenas dois meses e era mais fácil de encontrar ouro do que água potável ou eletricidade. Então, quando a expedição chegou descobriu que as reservas feitas meses antes nos hotéis locais, não tinham sido respeitadas e que os seus quartos haviam sido ocupados diante da falta de alojamento nas cidades – as tarifas subiram de US$ 2 a 50. Finalmente, os mecânicos brasileiros encontraram alojamento para todos em um bordel local; em camas cheias de pulgas, que no dia seguinte Dr. Jurgen Aschoff teve de tratar com pomada anti-coceira.

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UM CARRO EM CHAMAS
A esta altura da viajem os veículos já apresentavam sinas de fadiga e um deles, Manfred Berger e Richard Knar , sofreu um incêndio por perder uma das tampas do seu galão de combustível devido a chacoalharem muito. Com o movimento a gasolina derramou sobre o capô e caiu sobre o motor, fazendo com que pegasse fogo subseqüente. Em poucos minutos o Jeep foi envolvido em chamas e não puderam salvar praticamente nada da bagagem. Assim, a expedição foi reduzida para dois veículos e o ritmo foi diminuindo cada vez mais devido às condições do solo que foram ficando piores e tinham que resgatar continuamente os Jeeps, que, aliás, não tinham guincho.
A segunda parte da expedição foi em Itaituba, outra cidade que cresceu em paralelo com o negócio do ouro, mas com um pouco mais de organização do que Marabá. A partir dali, se tomava rumo ao norte até Santarém, reabastecimento onde o combustível misturado com água da chuva os Jeep eram cada vez mais exigidos. Tanto que quando faltavam poucas dezenas de km para chegar à final, um dos dois Jeep sobreviventes furou um dos pneus. Como não estavam cobertos por peças em bom estado, eles tiveram que continuar, de modo que as vibrações aumentaram que causando a quebra da estrutura da capota. A solução foi tirar e deixar no meio da selva.
Após 12 dias de aventura chegaram ao Hotel Tropical em Santarém, onde eles planejaram para descansar. Claro, depois de mostrar que tinham reservas e convencer o gerente do hotel que, apesar de suas aparência, eles não eram sem-teto. Naquele momento eles ainda não tinham conhecimento, que tinham conseguido um grande impacto imediato, que os responsáveis pela marca CAMEL repetiriam no ano seguinte e por anos consecutivos, até 1998.

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OS VEÍCULOS DA AVENTURA: Jeep, da Ford do Brasil (U50)
Para enfrentar esta aventura, a organização alemã escolheu Hertz rent-a car confirmou três veículos Jeep no Brasil CJ5. Os veículos eram fabricados pela Licença a Ford, Oval Azul, uma vez que a havia comprado a Willys Overland em 1967 suas fábricas no Brasil. A Ford fabricaria os Jeep até 1983, incluindo as suas próprias modificações. Na verdade, nenhum Jeep foi construído com estas características fora do Brasil.
O U-50, como eram chamados, começaram a ser montados em meados da década de 70 pela Ford com motor a gasolina de 2.3 litros e uma caixa de câmbio com quatro velocidades. Esses Jeep brasileiros tiveram uma diferente batalha em comparação aos fabricados nos EUA e outras diferenças na forma dos arcos de roda ou a localização do motor do limpador de vidros, entre outros.

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A ALMA AVENTUREIRA. Espírito de Andreas Bender.
Alemão, nascido em 1953 em Koenigstein, já era requisitado antes de completar 25 anos para projetar e conduzir destinos turísticos incomuns. Em 1980, ele foi escolhido para comandar a expedição CAMEL para a selva Amazônica e foi o líder das expedições posteriores Camel Trophy para Sumatra 1981, Papua Nova Guiné 1982, Zaire 1983, Brazil Amazônia 1984 e Bornéu 1985. Como chefe da caravana, foi contratado para projetar as rotas e logística e acima de tudo, para lidar com os nativos. Depois de se afastar do Trophy, continuou ligado ao mundo das viagens e hoje é dedicado a localizar cenários para produções publicitárias e filmes. Seu gosto por viagens atesta que não fica mais de 80 dias por ano em sua casa na Alemanha e carrega recheados 60 passaportes.
Fontes:
www.safarious.com
www.autofacil.es/