Com três dias de provas as dificuldades são imensas e muitos participantes já apresentavam desgaste físico e desanimo. Os atoleiros são imensos e intransponíveis. No sexto dia chegamos no ponto determinado e pela manhã, no horário de saída, somente nosso carro, dos italianos e dois veículos da organização, conseguiram chegar.
No oitavo dia em Moraes Almeida, encontramos com um garimpeiro trazido de caminhão que estava com malária. O médico da expedição foi atendê-lo e disse que dificilmente sobreviveria à doença. Fiquei arrasado, pois contrai malária no Camel de Madagascar e não foi uma boa experiência. Prometi que se saísse bem dessa expedição, nunca mais participaria de nada parecido. Estava chateado também porque uma das máquinas fotográficas parou de funcionar por causa da umidade. Aviso que não cumpri a promessa feita anteriormente.
No décimo dia, Afonso e Simonsen trabalham a noite toda construindo duas pontes e eu consegui dormir um pouco numa rede barraca que tenho desde o primeiro Camel. No dia seguinte, enquanto os dois se recuperam do cansaço, dirigi 110 quilômetros.
No décimo sexto dia acontecem provas de navegação noturna, com referências de rali. Afonso dirige, Ricardo faz os cálculos e confere tempos e eu cuido das aferições e informações de roteiro. Ficamos em segundo na primeira prova e ganhamos as outras duas seguintes. As pessoas normais não imaginam o que é participar de um evento desse. São pessoas de mais de quinze países, com culturas, línguas, profissões e hábitos diferentes. Fico analisando cada um e imaginando o mundo dessa pessoa.
Depois de um tempo você começa a entender cada um, os que trabalham de verdade, os que se encostam e não ajudam em nada, os que se relacionam bem e os que se isolam. É uma experiência de vida maravilhosa e instrutiva. Mudei muito meu modo de pensar depois dos Camel em Borneo e o de Madagascar