O primeiro de todos os SUV's de luxo: Um marco na história da indústria automotiva
Por Eduardo Rocha | Fotos Reinaldo Junqueira
1958: A Rover Company, convencida de que haveria mercado para um utilitário 4X4 robusto, mas com o conforto de um sedan Rover, criou o que seria denominado “Road Rover”. Nunca entrou em produção.
1961: A International Harvester lançava o Scout, o que seria um precursor dos SUV para competir com a Jeep com um utilitário de 2 portas com teto removível, meia cabine ou simplesmente “soft top”.
1966: A Ford Motor Company lança o Bronco como um SUV compacto para competir com o Jeep CJ e o International Harvester Scout. Todos espartanos, mas prontos a atender uma demanda do mercado mundial.
A Rover Company estava cada vez mais atenta ao desenvolvimento (ainda embrionário) dos utilitários esportivos nos Estados Unidos, como o Scout, o Bronco e o Wagoneer da Jeep e decide que era hora de colocar suas cartas na mesa.
Em 1967 a Rover Company, com Charles Spencer King, ou “Spen”, iniciou o programa de desenvolvimento do SUV com a plataforma de 100 polegadas e motor derivado do V8 de liga leve Buick, licenciado da empresa americana. Compraram um Ford Bronco, que era equipado com uma suspensão de molas e longo curso, que seria adequada para uma combinação de conforto e capacidade off-road. “Spen” tinha plena convicção de que uma tração permanente nas quatro rodas seria necessária para uma excelente dirigibilidade e confiabilidade, formando um conjunto perfeito com o motor V8.
O agora Rover V8, tem 3.5 L de capacidade cúbica e é alimentado por dois carburadores Zenith-Stromberg que mantém o fornecimento de combustível inclusive com o carro em situação de forte inclinação, evitando assim uma falha num momento crítico de off-road. Havia também o recurso de partida manual através de uma manivela fornecida, algo bastante curioso.
Nas primeiras unidades produzidas, não havia direção hidráulica, que foi introduzida poucos anos depois. Também, a coluna “C” era pintada na cor do carro, sem o vinil imitando couro. A carroceria toda construída em alumínio, com exceção do capô e da porta traseira bi-partida. Sua estrutura, baseada em painéis de alumínio presos a uma estrutura de aço o que lhe dava muita resistência e facilidade de reparo. Apenas nos primeiros modelos a sair da linha de montagem, capô e porta traseira eram também de alumínio.



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Freios a disco com acionamento hidráulico nas 4 rodas, câmbio manual de 4 marchas, velocidade máxima de 160 km/h e capacidade para rebocar até 3500 kg, levando até 5 adultos confortavelmente instalados.
Em 1970 o Range Rover é lançado como “o carro de todas as razões”, com conforto, desempenho, espaço e a robustez de um 4X4. A Land Rover havia acertado “em cheio” no seu desenvolvimento. Daí por diante, ele passava a ser a referencia mundial de SUV.
O 1974
O modelo de nossa matéria , é um 1974 3 portas com motor V8 3.5, carburadores Zenith-Stromberg, cambio manual de 4 marchas, na cor Bahama Gold. Pertence ao colecionador Milton Tesseroli.
O ano era 1980, Milton era estudante e sempre passava em frente à casa de um empresário no Rio de Janeiro e via o Range Rover amarelo, comprado da embaixada britânica em 1974. A paixão pelos carros da marca e a curiosidade pelo único exemplar de Range Rover conhecido no Brasil até então, deram suporte à “cara de pau”. Então, sempre que estava por ali, pedia para dar uma “olhadinha”. Mesmo sendo inconveniente, o proprietário que certamente achava aquilo engraçado, era sempre muito gentil e deixava Milton à vontade para “babar” pelo carro.



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Alguns anos se passaram e ele decidiu fazer um pedido: “se um dia o senhor decidir vender essa jóia, por favor me procure”. Ele tinha que fazer aquilo, mesmo sabendo que talvez não tivesse dinheiro para comprá-lo.
Naquela época ele não imaginava o que a vida reservava para ele. Anos mais tarde, a Land Rover voltava ao Brasil e ele seria nomeado concessionário autorizado para o Estado do Rio de Janeiro.
Em 2003, o proprietário finalmente decidiu vender e lembrou de Milton, que teve a oportunidade inimaginável de comprá-lo e realizar o antigo sonho do estudante. Cerca de 20 anos depois.
Segundo Milton, esse Range Rover nunca passou por restauração. Foram feitos apenas alguns retoques de pintura, revitalização interna e externa e revisão mecânica básica. Motor, câmbio, transmissão, suspensão, freios e etc, são originais e nunca abertos. O carro tem hoje, incríveis 75.000 km.
Além da condição imaculada, o carro é raríssimo no Brasil. Existem apenas mais quatro, nenhum nesse estado de conservação. Um desses, na cor Tuscan Blue, também é dele.
A maioria dos Range Rover Classic (como são denominados) que veio ao Brasil, é equipada com os motores Rover V8. Primeiro os 3.5 carburados, mais tarde os 3.9 com injeção eletrônica e nas últimas unidades, também um 4.2.
As versões a Diesel
No fim da década de 1970, a British Leyland, controladora da Land Rover viu a premente necessidade da introdução de motores a diesel, em função da crise energética de 1979, juntou forças com a Perkins Engines para desenvolver uma série de motores para atender essa demanda. Com base nos motores da British Leyland, incluindo o Rover V8 3.5, foram desenvolvidos duas versões a diesel, uma aspirada e a outra turbo. Por razões técnicas e financeiras, esse projeto conhecido como “Iceberg”, naufragou em 1983.
Adotaram então os renomados VM Motori TDi4 italianos (primeiro 2.4L e depois 2.5L). Mas a mídia especializada inglesa os recebeu com uma certa frieza, tendendo a compará-los com os V8 a gasolina. Que obviamente são diferentes.
Em 1992, a Land Rover os substituiu pelo seu próprio projeto, o 200 Tdi e dois anos mais tarde, pelos 300 Tdi. Segundo Milton, em 1993, fizeram a importação para um cliente do Rio de Janeiro, da única versão a diesel conhecida no Brasil. Um 200 Tdi com câmbio manual.
A releitura de 2018
Considerado um dos melhores (senão, o melhor) SUV do mundo e no caso do modelo de 3 portas, o mais charmoso, na minha opinião, a Jaguar Land Rover decidiu, de certa forma, reeditá-lo agora em 2018, ano em que a marca completa 70 anos.
Lançou no salão de Genebra em março de 2018, o Range Rover SV Coupé, o primeiro SUV coupé de luxo Full-Size da atualidade.
Uma edição limitada de 999 unidades. Com 8 opções de cores, 4 delas inéditas no portfólio da marca, o SV Coupé pode ser personalizado com uma das quatro combinações dessas cores externas. Seu interior com uma infinidade de possibilidades de personalização, vai certamente deixar os 999 felizes compradores, bastante ocupados. A motorização é nada menos do que o V8 5.0 Supercharged de 565 CV.
Não pretendo aprofundar nas características desse carro por enquanto, pois acredito que ao menos uma unidade deve vir para o Brasil e esperamos ter a chance de fotografá-lo. Afinal, não é qualquer carro que já nasce clássico e colecionável.
Nota: Esse modelo não entrou em produção. Realmente uma pena.
Range Rover Classic 1974
Motor V8 em alumínio, gasolina, 3.5 158 CV com dupla carburação Zenith-Stromberg e ignição com platinado;
Torque máximo 277,53 Nm;
Freios a disco nas quatro rodas;
Transmissão manual c/ 4 velocidades, 4×4 permanente, reduzida e diferencial central com bloqueio a vácuo;
Peso=1.724 kg;
Dimensões: comprimento=4,47m / Entre eixos=2,54m(100”) / Altura=1,77m / Largura=1,77m;
Suspensão com eixos rígidos e molas helicoidais;
Carroceria em alumínio.
Range Rover SV Coupé 2018
Motor V8 em alumínio, gasolina, 5.0 Supercharger, 565 CV;
injeção eletrônica;
Torque máximo de 700 Nm;
Freios a disco nas 4 rodasTransmissão automática sequencial de 8 velocidades4x4 permanente, caixa de transferência de 2 velocidades;
Peso: ND;
Dimensões: comprimento=5,01m / Entre eixos=ND Altura=1,79m / Largura=2,22m;
Suspensão independente adaptativa, nas quatro rodas com bolsas de ar e Dynamic Response;
Carroceria em aluminio.